A Atualidade dos Profetas
Menores
TEXTO ÁUREO
"Mas que se manifestou agora e se
notificou pelas Escrituras dos profetas, segundo o mandamento do Deus eterno, a
todas as nações para obediência da fé" (Rm
16.26).
VERDADE PRÁTICA
Por ser revelação de Deus, a mensagem dos profetas é perfeitamente
válida para os nossos dias.
HINOS SUGERIDOS 458, 465, 562
LEITURA
DIÁRIA
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Segunda – Mt 7.12 – A regra áurea cumpre a lei e os profetas
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Terça – Mt 22.40 – A lei e os profetas dependem do amor
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Quarta – Mt 26.56 – Cumprimento das Escrituras dos profetas
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Quinta – At 15.15-17 – Os profetas anunciaram a salvação dos gentios
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Sexta – At 26.22,23 – A mensagem da Igreja é a mesma dos profetas
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Sábado – Rm 1.2 – Os profetas falaram sobre a vinda do Messias
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2
Pedro 1.16-21
INTERAÇÃO
Prezado
professor, o comentarista de Lições Bíblicas desse trimestre é o pastor
Esequias Soares. Um dos mais renomados biblistas do pentecostalismo
brasileiro, líder da Assembleia de Deus em Jundiaí (SP) e da Comissão de
Apologética da CGADB. Mestre em Ciências das Religiões, graduado em línguas
orientais e autor de várias obras publicadas pela CPAD.
O tema que
estudaremos é uma das áreas em que o autor é especialista, pois trata-se de
alguém que conhece profundamente o
hebraico. Veremos que a mensagem milenar
desses profetas muito tem a dizer-nos hoje. Ouçamos, pois, o Senhor através
dos seus santos profetas!
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OBJETIVOS
Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
Descrever o panorama geral dos profetas menores.
Analisar a procedência da mensagem dos profetas menores.
Compreender que os escritos dos profetas menores são divinamente inspirados.
ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Professor,
para introduzir a primeira lição utilize o esquema abaixo. Reproduza-o
conforme as suas possibilidades. O objetivo é mostrar ao aluno um panorama
geral dos Profetas Menores. Sabemos que o surgimento do profetismo em Israel
e Judá se deu no período monárquico (veja o Auxílio Bibliográfico I).
Enfatize que as finalidades do movimento eram: restaurar o monoteísmo hebreu,
combater a idolatria, denunciar as injustiças sociais, proclamar o Dia do
Senhor e reacender a esperança messiânica.
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INTRODUÇÃO
Neste trimestre, estudaremos os chamados Profetas Menores. Apesar de
antiguíssimos, eles tratam de questões relevantes para os nossos dias e servem
de edificação espiritual a todo o povo de Deus. Entre os temas tratados, temos:
a família, a sociedade, a política e a espiritualidade. Na atual conjuntura, os
profetas são um verdadeiro esteio da sabedoria divina para a Igreja de Cristo,
pois encorajam-nos a militarmos pela causa de Cristo. I. SOBRE OS PROFETAS MENORES
1. Autoridade. A coleção dos Profetas Menores compõe-se dos seguintes livros: Oseias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miqueias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias. Essa estrutura vem da Bíblia Hebraica e, posteriormente, da Vulgata Latina. A Septuaginta (antiga versão grega do Antigo Testamento) apresenta nos seis primeiros livros uma disposição diferente da Hebraica, dispondo os livros assim: Oseias, Amós, Miqueias, Joel, Obadias e Jonas.
É importante ressaltar que o valor e a autoridade dos escritos dos Profetas Menores em nada diferem dos Profetas Maiores. Tal classificação é puramente pedagógica, visando tão somente facilitar a compreensão da presença de uma estrutura literária nos livros proféticos do Antigo Testamento. Não obstante, ambas as coleções são uma só Escritura e têm a mesma autoridade (Jr 26.18 cf. Mq 3.12; Rm 9.25-27 cf. Os 1.10; 2.23; Is 10.22, 23).
2. Origem do termo. A expressão "Profetas Menores" advém da Igreja Latina por causa do volume do texto ser menor em comparação aos de Isaías, Jeremias e Ezequiel. Assim explica Agostinho de Hipona (345-430 d.C.) em sua obra A cidade de Deus. O termo é de origem cristã, pois, na literatura judaica, essa coleção é classificada como Os Doze ou Os Doze Profetas. Essa informação é confirmada desde o ano 132 a.C., quando da produção do livro apócrifo de Eclesiástico (49.10). É também corroborada pelo Talmude (antiga literatura religiosa dos judeus) e ratificada pela obra Contra Apion do historiador judeu Flávio Josefo (37-100 d.C.).
3. Cânon e cenário dos Doze. O cânon judaico classifica os profetas do Antigo Testamento em anteriores e posteriores, sendo: a) Anteriores: Josué, Juízes, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis; e b) Posteriores: Isaías, Jeremias, Ezequiel e os Doze. A classificação e o arranjo do cânon hebraico diferem sistematicamente do nosso.
Um dado importante é que todos os profetas, de Isaías a Malaquias, viveram entre os séculos 8 a 5 a.C., tendo alguns deles sido contemporâneos. O período abrangeu o domínio de três potências mundiais: Assíria, Babilônia e Pérsia. Oseias, Isaías, Amós, Jonas e Miqueias, por exemplo, viveram antes do exílio babilônico (Os 1.1; Is 1.1; Am 1.1; 2 Rs 14.23-25 cf. Mq 1.1), e outros, como Ageu e Zacarias, no pós-exílio (Ag 1.1; Zc 1.1).
Os escritos dos Profetas Menores têm a mesma autoridade que os outros livros do Cânon Sagrado.
1. Procedência (vv. 16-18). O apóstolo Pedro afirma que a revelação ministrada à Igreja era uma mensagem real e abalizada pelo testemunho ocular do colégio apostólico. À semelhança dos apóstolos, os profetas, inspirados pelo Espírito Santo, refletiram fielmente a vontade e a soberania divina acerca da redenção de Israel, em particular, e da humanidade, em geral.
A mensagem dos profetas é de procedência divina e tem, como cenário, as ocorrências do dia a dia. O casamento de Oseias (Os 1.2-5; 3.1-5) e a visita de Amós a Samaria (Am 7.10-17) são apenas alguns dos exemplos que deram ocasião aos oráculos divinos. Semelhantemente aconteceu aos apóstolos na transfiguração de Jesus no Monte das Oliveiras (Mt 17.5,6; Mc 9.7; Lc 9.34-36).
2. "A palavra dos profetas" (v.19a). Convém ressaltar que a expressão "os profetas", nessa passagem, não se restringe aos literários e nem mesmo aos Doze. Porque Deus levantou profetas desde o princípio do mundo (Lc 1.70; 11.50,51). O ministério e os escritos proféticos eram tão importantes que, algumas vezes, o termo é usado para se referir ao Antigo Testamento (At 26.27). Entre os seus escritos, encontramos mensagens da vinda do Messias, orientações para a vida humana, para a nação de Israel e até para o mundo. Há também mensagens que se aplicam à Igreja de Cristo (1 Tm 3.16).
3. "Como a uma luz que alumia em lugar escuro" (v.19b). Os profetas pregaram tudo o que diz respeito à vida e à piedade. Os temas eram diversos: Deus, o ser humano e a criação. Estaríamos à deriva no mundo sem as palavras dos profetas, pois elas nos levam à luz de Cristo (Sl 119.105). A Lei e os Profetas anunciaram a vinda de Jesus de Nazaré (Jo 1.45; Lc 24.27). A mensagem dos profetas foi entregue às gerações futuras, preparando-as para o tempo do Evangelho (1 Pe 1.12). Por isso, não devemos abdicar de seus ensinamentos, pois a autoridade desses escritos é perfeitamente válida para hoje.
A mensagem dos Profetas é de procedência divina. Jamais por inspiração humana.
1. A iniciativa divina. O apóstolo Pedro retoma o que afirmou nos versículos 16 a 18. A mensagem dos profetas não se resume a uma retórica baseada em imaginação humana, nem é algo artificialmente construído. Nenhuma parte dessa revelação "é de particular interpretação" (v.20). As experiências dos profetas, como as do próprio Pedro no monte da transfiguração, provam a iniciativa divina em comunicar seus oráculos à humanidade.
2. A inspiração dos profetas. Está escrito que "toda a Escritura é inspirada por Deus" (2 Tm 3.16 - ARA). O termo grego theopneustos para as expressões "inspirada por Deus" e "divinamente inspirada" vem das palavras Theos, "Deus", e pneo, "respirar, soprar". Isso significa que os profetas foram "movidos pelo Espírito Santo" (2 Pe 1.21 - ARA).
O caráter especial e único da "palavra dos profetas" a torna sui generis. Ela pode fazer qualquer pessoa sábia para a salvação em Cristo Jesus e é proveitosa para ensinar, repreender, corrigir, redarguir e instruir em justiça (2 Tm 3.15,16). Nenhuma literatura no mundo tem essa mesma prerrogativa.
3. A autoridade dos Profetas Menores. A Igreja submete-se inquestionavelmente à autoridade dos apóstolos, e essa é a vontade de Deus. Pois, os Evangelhos de Mateus e Lucas, ou pelo menos um deles, são colocados no mesmo nível do Antigo Testamento (1 Tm 5.18; Dt 25.4; Mt 10.10; Lc 10.7). O mesmo acontece com as epístolas paulinas (2 Pe 3.15,16). Essa é uma forma de se reconhecer definitivamente o Novo Testamento como Escritura inspirada por Deus. Depreende-se, então, que todos os livros da Bíblia têm o mesmo grau de inspiração e autoridade. Logo, devemos dar a mesma atenção e credibilidade aos escritos dos Profetas Menores (2 Pe 1.19).
SINÓPSE DO TÓPICO (3)
Os livros dos Profetas Menores têm autoridade divina e são genuinamente inspirados por Deus.
Diante do exposto, os Profetas Menores, como parte integrante das Escrituras inspiradas, não devem ficar em segundo plano. Por isso, recomendamos que, já no início do trimestre, seja feita uma leitura dos Doze Profetas. Esta facilitará a compreensão da mensagem desses despenseiros de Deus. Convém ressaltar que o enfoque de cada lição, aqui, raramente coincide com o assunto predominante de cada livro, pois a escolha desses temas baseou-se nas necessidades do mundo de hoje.
AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICOI
Subsídio Lexográfico
"Profetismo
Movimento que, surgido no século VIII a.C., em
Israel, tinha por objetivo restaurar o monoteísmo hebreu, combater a
idolatria, denunciar as injustiças sociais, proclamar o Dia do Senhor e
reacender a esperança messiânica num povo que já não podia esperar contra a
esperança.
Tendo sido iniciado por Amós, foi encerrado por
Malaquias. João Batista é visto como o último representante deste
movimento" (ANDRADE, Claudionor Corrêa. Dicionário Teológico. 8 ed. Rio
de Janeiro: CPAD, 1999, p.244).
O Ofício Profético
O termo hebraico naby define em si o profeta como
porta-voz de Deus. Enquanto pregava para a própria geração, o profeta também
predizia eventos no futuro. O aspecto duplo do ministério do profeta incluía
declarar a mensagem de Deus e predizer as ações de Deus. Assim, o profeta
também era chamado de 'vidente' (hb.: roeh), porque podia ver eventos antes
de estes acontecerem.
A Bíblia relata o profeta como alguém que era
aceito nas câmaras do conselho divino, onde Deus 'revela o seu segredo'"
(Am 3.7) (LAHAYE, Tim. Enciclopédia Popular de Profecia Bíblica. 1 ed.
Rio de Janeiro: CPAD, 2008, p.383).
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AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICOII
Subsídio Teológico
Os Profetas Menores
"Os livros dos Profetas Menores são chamados
assim por causa da brevidade relativa em comparação a Isaías, Jeremias e
Ezequiel, e não porque sejam menos teologicamente importantes. Os doze livros
que compõem os Profetas Menores variam em data entre os séculos VIII e V.
a.C.:
Embora os acontecimentos registrados em Jonas
tenham ocorrido no século VIII, a data da autoria do livro é incerta.
[...] Diversos temas teológicos se sobrepõem a
maioria destes profetas, especialmente nos mesmos períodos cronológicos acima
esboçados.
Os profetas não falaram sobre Deus em termos
abstratos de filosofia ou teologia. Falaram dEle como alguém ativamente
envolvido no mundo que Ele criou e intimamente interessado no povo do
concerto (ZUCK, Roy B. Teologia do Antigo Testamento. 1.ed. Rio de
Janeiro: CPAD. 2009, pp.429-30).
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VOCABULÁRIO
Apócrifo: Livro que, embora
reivindique autoridade divina, não foi reconhecido como inspirado por Deus.
Corroborar: Ratificar e confirmar
algo.
Oráculo: A Palavra de Deus e de
seus profetas.
Retórica: Arte do bem dizer, do
falar com eloquência.
BIBLIOGRAFIA SUGERIDA
SOARES, Esequias. O
Ministério Profético na Bíblia: A voz de Deus na Terra. 1.ed. Rio de
Janeiro: CPAD, 2010.
SOARES, Esequias. Visão
Panorâmica do Antigo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.
ZUCK, Roy B (Ed.). Teologia
do Antigo Testamento. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2009.
SAIBA MAIS
Revista Ensinador
Cristão CPAD nº 52, p.36.
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